Monday, October 12, 2020

Ribeirão




Estava em horário de almoço na empresa, e então ela chegou. Uma morena alta que eu nunca tinha visto por lá. Veio de Ribeirão Preto para ajudar a chefe a terminar um projeto especial.
A química foi imediata, não conseguíamos parar de nos olhar. Eu senti o desconforto nos estômago e as pernas batendo. Fiquei excitada e me mexi na cadeira. Fui até o corredor lavar o rosto, ela me seguiu sem que eu percebesse e quando me virei ela já estava colada em meu corpo me pegando pela nuca.
Nos beijamos ali mesmo, sem saber nada uma da outra que não fosse nossos nomes.
Ela havia me perguntado entre um beijo e outro, se eu tinha um quarto perto dali. Sim! Claro! Todos nós morávamos perto do projeto. Era importante estar disponível sempre que a chefe chamasse. Então você me leva lá, assim que der o horário. Ela não me perguntava, me notificava. Me deixou com a boca aberta, o cabelo bagunçado e saiu para a sala de reuniões como se nada tivesse acontecido.
Eu fiquei ali, parada por um tempo, tentando me recompor. Logo que voltei a realidade, me arrumei e fui para minha sala. De lá podia vê-la concentrada sobre a lousa dos milagres da chefe. Era assim que chamávamos o quadro. Uma lousa branca em que projetos impossiveis eram realizados. Vez ou outra, ela olhava para trás e me via através do vidro que separava nossas salas. Eu me assustava e fingia fazer algo, qualquer coisa.
Foi difícil terminar de trabalhar aquele dia, eu olhava o relógio e contava os segundos.
Devo ter perdido alguma coisa entre um segundo e outro, por que quando deu a hora certa, olhei para a sala da chefe e Ribeirão não estava mais lá. Pisquei atônita. Meu coração pesou. Juntei minhas coisas convencida de que tinha imaginado tudo em minha cabeça de vento e fui de encontro a escadaria. E lá estava ela, com a jaqueta jeans pendurada na cintura, e parte das costas prensada contra a parede fria. Estava com uma camiseta branca que caia aos lados e me provocava com um pouquinho dos ombros cheios de sardas. As alças do sutiã preto me encaravam gritando anarquias.
Você demorou. Disse ela antes de me puxar pela gola da camiseta e me beijar furiosamente.

Fomos para o meu quarto designado.
O projeto nos emprestava tudo, enquanto durasse a temporada. Um quarto simples com janelões de vidro e cortinas bege. Um banheiro adjacente. Uma cama um pouco maior do que de solteiro, e um abajur na cabeceira. Era tudo o que precisávamos. Todo o resto era fornecido no prédio do projeto. Alimentação, roupas, material para estudo, etc.
Perto das janelas, um sistema de proteção de metal pintado de azul marinho servia para nos proteger de possíveis enchentes. Levantar o metal trancava o quarto de modo mais seguro e impedia a força da água de destruir as casas.

Tirávamos as roupas em velocidade avançada e então escutamos um grupo de pessoas tentando entrar pelas janelas. Ela rapidamente travou as janelas e levantou a proteção de metal. Eu tranquei as portas enquanto ela voltava para a cama só de camiseta. Quando me deitei, ela encostou os lábios nos meus sem me beijar. Ficou com a boca como quem estivesse partindo para um beijo de língua, mas não o fez e ficou me olhando nos olhos. Eu achei aquilo tudo muito sensual e me deixei levar pelo momento até que me dei conta de que, enquanto eu me perdia em seu olhar, ela descia a mão até minha calcinha.
Não posso afirmar com certeza, mas creio que minhas pupilas dilataram nesse momento, como se meu organismo fosse de encontro a uma droga.

Era cedo demais! Eu dizia a ela: não faça isso. Você não sabe o que está fazendo. Desse jeito eu não vou durar. Ela respondia com a boca ainda colada na minha: isso é o que eu quero, e eu quero agora!

Quando você volta para Ribeirão?
Amanhã.
Eu não vou deixar.
Isso é o que nós vamos ver.

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