Monday, September 28, 2020

Me experimenta antes de dizer não.

Eu tenho ganas de tocar sua pele. Sentir teu cheiro, teu calor. Você me deixa toda errada. Questionando cada frase. Me imaginando em sua boca. Desejando tua língua em mim.
Sua voz é um mistério. Me fere e atiça. Essa pele morena e seus cabelos negros me hipnotizam. Quero te beijar desprevenida. Quero invadir teu espaço te ouvir gemer e chamar meu nome.
Do que você me chamaria? Meu nome ou o apelido que me deu?

Quando penso em você, tenho vontade de dançar, te conhecer a fundo, te consumir por completo. Sei que as suas meninas são todas modelos, e eu talvez não caiba em seus parâmetros, mas a minha potência te garante um fim de semana de exaustão. Duvida?

Combina comigo de não se apaixonar e deixar rolar aquilo tudo que conversamos.
Me chama, mesmo que pareça estranho. A gente é toda errada, mas tudo bem. Me ensina o que você já sabe. Me mostra teu corpo. Deixa eu tocar sua pele. Deixa eu sentir sua língua em mim.

Thursday, September 24, 2020

Fur Blog




- Você não me parece bem. O que houve?
- Nada demais. Só mais um capítulo escrito. Só mais um livro na estante.
Algo rompeu em mim. Um terremoto, um tsunami. Tudo se revoltou e a terra se abriu.
Algo se rompeu em mim. Romperam comigo.
Agora fica só a sensação de rasgo da alma. Algo que a gente teima em usar como metáfora, mas não entende bem até entender. Chegou a minha vez de entender.
Eu senti a violenta ruptura no peito. Minha vez de ficar sem ar. Minha vez de ficar sem chão. Minha vez de ficar sem saber para onde ir.
Quase literalmente uma vala aberta no coração. Uma ferida. O vazio difícil de preencher. 
Agora eu sou apenas uma embalagem de plástico que foi descartada na caixa verde. Sinto que não estou em meu lugar, porém aqui espero. Eu e as garrafas de vidro vazias aguardamos pacientes.
Vão se passar meses até alguma maquina perceber o erro. Até me colocarem na caixa de cor vermelha. Meses até eu finalmente ser reciclada e poder mais uma vez ser reutilizada. Me sentir útil novamente. Ser necessária mais uma vez.
Você sabe...nada demais.
- Ah..certo. Desculpe por perguntar.

Thursday, September 17, 2020

Livros & Cadernos

Eu durmo agora com meus livros e cadernos. Tem sido de fato uma companhia mais assertiva. Faço deles, coleções em pilhas carinhosamente pendentes a um travesseiro sem serventia.
Prefiro assim. Se os preciso, estão lá. Se os toco, sei que haverá prazer e arte.
Nas noites de inspiração incontrolável, somos casais não monogâmicos. Somos, o que fomos feitos para ser.
A linha da vida se preenche em maestria. Tudo está em seu lugar agora. Nada mais cabe a tolos devaneios de um passado jovial.

Deixo para trás o oceano das promessas vazias.
Deixo para trás a ilha dos sonhos.
Se há um caminho óbvio a seguir, espero não haver tantas armadilhas quanto as que pisei. Levo comigo, o pouco no bolso da desilusão. O orgulho ferido como um dia ardido no Sol que não perdoa. A areia no corpo dos tombos de um ser claudicante. O desespero de quem busca água potável em situação de sobrevivência.
No lugar da vã esperança, a certeza de um projeto consequente.

O futuro não me aguarda, já me recebeu com uma lista de realidades. O presente é uma tatuagem na alma. Um lembrete diário do que é preciso ser feito quando olho no espelho.
Não há tempo a perder.
Mal vejo a hora de chegar em casa, para dormir com meus livros e cadernos.

Friday, September 4, 2020

A Baleia Azul Jubarte




Eu abro os olhos e vejo o céu azul claro. O vento sopra forte em minha face. Escuto o som de ondas quebrando em uma parede. Olho para o chão e reconheço a grande rocha tomada de corais pontiagudos. Estou segura com meu all-star vermelho. Caminho até a ponta da rocha para ver o mar. Me sento na beirada e observo as ondas explodirem em contato com a rocha. Sinto o cheiro de sal no ar e as gotículas do mar borrifando meu rosto. Permito que o vento sopre meus cabelos.

Me levanto e começo a descer a rocha pela escadinha disforme feita pela natureza. Caminho pela encosta até encontrar um lugar mais calmo para pular no mar. Entro na água de roupa e tênis e deixo as ondas leves me carregarem para longe, onde vivem outros seres. Observo o céu mudar de cor. Do azul celeste para o rosa despontando no horizonte. Do rosa para o laranja do por do Sol, até o arroxeado trazendo a noite e o escuro estrelado. Aprecio o som da água batendo em meu ouvido enquanto relaxo.

Permito que me corpo desça até as profundezas, mas paro em pé em certo ponto. Eu não tenho necessidade de respirar. Esse conceito não existe lá embaixo. A água está numa temperatura agradável, nada parecido com o frio costumeiro do fundo do mar. A sensação é de total conforto. Consigo enxergar pouco a meu redor, e então escuto os incríveis sons da grande baleia Azul-Jubarte que só existe nesse mundo imaginário. Ela nada em camera lenta em minha direção. Vai passar muito perto, me permitindo esticar a mão e tocá-la. Ela tem o tamanho de uma baleia Azul mas as características da Jubarte com nódulos ao redor do maxilar e nas nadadeiras. Ela se demora a passar por mim e o seu canto agora vibra em intensidade. Parece me tirar do lugar.

Esse momento é o por quê de toda essa jornada. O vínculo que tenho com a Jubarte me deixa em perfeito estado de relaxamento.



Enfim posso dormir.