Thursday, July 30, 2020

Fernanda - parte dois



Quatro da tarde.
Combinamos de nos encontrar no estúdio.
Ela chega e me abraça forte. Me segura pela nuca. Me olha nos olhos e exclama.

- Estava com saudade!

Eu a beijo com carinho e a convido para ir à minha casa. Ela sorri e responde sem demora 'vamos já'.

Em casa, subimos com pressa para o meu quarto. 
Eu fecho a porta e a janela, acendo o abajur. Me deito na cama com os cotovelos me apoiando, e de pernas abertas, a chamando para se aproveitar de mim.
Ela atende ao meu pedido. Deita-se em cima de mim e me beija com vontade, com força.
Não me aguento. Imediatamente coloco as mãos dentro da blusa dela, e a seguro pela cintura. 
Ela, obviamente, geme. 
Era o tal do ponto fraco dela, que eu já conhecia, e fazia questão de abusar. 
Mas ela também sorri. E eu não perco a oportunidade de fazer piadinhas fora de hora. 
Mas o que eu não sabia era que eu acabava de encontrar uma parceira com respostas prontas e aniquiladoras. Funcionava quase como um 'cala a boca' pra mim.

- Nossa! Como você é facinha!
- Pra você eu sou mesmo... - Ela responde de olhos fechados.

Fico muda por uns segundos. Mas ainda tento fazer melhor.

- E é sempre assim? Rapidinha?
- Eu não tenho tempo pra joguinhos, Sucri. Posso tirar a blusa? - E gemia...

Tudo bem! Ela havia me vencido. Não tem como falar não a uma pergunta dessas. Ainda mais, se tratando de Fernanda. Deliciosa! 

Fernanda, 1,70 de pura gostosura. Cabelos originalmente castanhos que misteriosamente se transformavam em dourado expostos ao Sol. Uma boca rosada que acompanha um dos sorrisos mais lindos que já vi. As sobrancelhas grossas para afirmar o olhar fatal que mexe comigo e tantas outras mulheres. 
E para suavizar, olhos 'amendoados' como diria minha irmã. Olhos lindos, lindos!

Então ela tira. Puxa minha blusa pra cima e ameaça puxar meu sutiã. Pra dar uma espiada, sabe como é. 
Só ameaça. Neste momento ela para de gemer, se mexer, e fica quietinha, me fazendo carinho. Tocando e olhando meus seios cobertos, ela morde a boca. De repente me olha nos olhos e com um sorriso maravilhoso no rosto repete.

- Você é muito gostosa! Como pode?

E não me dá chance de resposta. Se deita de novo em cima de mim e me beija com força. Com vontade. 
Sem demora, passa a me tocar na cintura, nas costas, e enfia a mão por dentro da minha calça.

- Tira?
- Não.
- Ah Sucri, só um pouquinho vai.
- Não.
- Por que não?
- Tira a sua que eu tiro a minha.
- Tá bom!

Ops. Foi mais rápido que eu imaginava. Ela deita do meu lado e tira a calça sem cerimônias.

- Pronto, agora você.
- Não.
- Mas você prometeu!
- Eu menti.
- Não vale.
- Lógico que vale!

Ela insiste. Segura minha calça pelo cós e puxa pra baixo.

- Deixa vai.
- Não.
- Tira essa calça! - Fala num tom mais sério, mas no final dá risada do próprio tom autoritário.

Briga comigo, como se brigasse com uma criança.

- Não! Outro dia quem sabe, deixa no gelo.
- Que mané gelo o que! Deixa eu te sentir vai. - Toda manhosa.

Ela então começa a formular uma explicação viável para que nós duas, nesse momento pudéssemos transar. Falava algo sobre o pouco tempo que tinha, e que eu iria me arrepender. É claro que era só curtição da minha parte. Enquanto ela falava eu tirava a calça tentando não deixar ela perceber. 
De supetão, me encosto nela. Novamente a faço parar de falar e começar a gemer. Ela agora sussurra.

- Meu Deus! Como você é gostosa!
- O que você tava falando?
- Ahn? Não sei, perdi o fio da meada.
- Continua.
- Não quero mais. Hmm, vem cá!

E me puxa forte de encontro a ela. 

- Você é toda quentinha...

Eu adoro elogios que vem dela. Aquela mulher. Deliciosa, carinhosa, verdadeira, linda e suave. Elogios são como chocolate branco pra mim, quase me faz gozar.

Ela me quer em cima dela, eu a quero em cima de mim. 
Ela me puxa pra cima dela e me faz gozar.

E quando eu deito do lado dela, ela me abraça novamente e me faz carinho. Me olha nos olhos.
Eu deslizo minha mão pelas costas dela. Quase sem encostar os dedos em sua pele. 
Ela treme. Geme. Me aperta. E não se segura.

Fernanda senta e prende os cabelos em ‘rabo de cavalo’. Eu já havia sido avisada sobre isso. Fonte segura garantia que era ali que eu deveria começar a ter medo.
Uma outra Fernanda estaria comigo agora, uma mais determinada, mais séria.
Como uma Dominatrix chicoteando seu escravo.

Ela se impõe. Senta em cima de mim. Me olha nos olhos e avisa que está no comando.
Eu apenas a observo. Deixo que ela mande em mim. Ela se mexe devagar e me segura pelos ombros.
Não demora a fechar os olhos e morder a boca. Franzir a testa. E fazer uma voz diferente.

Eu adoro a voz diferente dela. Adoro tudo! Adoro a voz forte, os sussurros, e nesses momentos, a outra voz que eu insisto em chamar de 'voz de menininha'.
Ela odeia. Fala que é mentira. Que não tem voz de menininha coisa nenhuma! Que não se escuta falando assim. 
Mas ela muda sim o tom de voz, e nem percebe. É uma voz deliciosa. Principalmente quando geme. 

Ela goza e me faz gozar. Definitivamente, me faz gozar!

- Você inclina o corpo e fecha os olhos quando... - ela fala meio envergonhada.
- Quando...?
- Você sabe. Quando eu te faço carinho.

Ela se vira de costas e se encolhe abraçando o travesseiro. Eu me sinto tentada a encostar nela, mas me lembro dela me falando que não gosta disso. Se sente desconfortável.
Não resisto. Aquele corpo maravilhoso, com aquela pele macia e quentinha, aqueles cabelos cheirosos assim na minha frente. 
Encosto nela devagar, não quero assustar. Mantenho minha cabeça apoiada pelo braço direito e com o esquerdo faço carinho nas costas dela. Bem devagar. 
Beijo a nuca dela, e ela se arrepia. Passo a minha boca molhada pela nuca, ombros, e pescoço dela. 
Ela sorri e vira só a cabeça pra me beijar. Continuo por um tempo acariciando sua nuca costas e os ombros. E me afasto brincando.

- Pensei que você não gostasse de ninguém atrás de você.
- É, eu tava pensando nisso. - ela começa a se virar pra mim. - mas estava tão gostoso.

Eu sinto vontade de beija-la até a noite seguinte.

Tuesday, July 21, 2020

Fernanda






Fernanda já me cantava de longa data. Ok! Não tão longa assim. 
O importante é que eu não a levava a sério.
Pensava "eu brinco assim com todo mundo...ela também pode."
Mas a verdade é que as "brincadeiras" de Fernanda eram bem mais apimentadas que as minhas.

Verdade que eu me assustei um pouco no ano passado, quando no meio da rua, e em sentido a uma lanchonete, Fernanda simplesmente enfiou a mão dentro da minha blusa e me acariciou as costas.
Naquela época eu não sabia o que pensar. Tanto que, quase obrigatoriamente, levei na esportiva.
Hoje entendo que ela me olhava de um jeito diferente. 
Com aquele olhar que sempre me chamou a atenção. 
Mas eu pensava que ela olhava assim para todos. Que simplesmente era o olhar dela. 
O jeito dela. Ainda hoje tenho minhas dúvidas.

Ficamos sem nos falar por um tempo logo após o episódio "mãos nas costas"... Nada a ver com o fato em si, mas coincidentemente após. Motivos esses, que não merecem ser mencionados aqui. Numa outra história, quem sabe.

O que sei é que senti falta de Fernanda. Genuinamente. Sentia meu coração apertado e sufocado quando pensava nela. 
Não, eu nunca tinha sentido mais do que amizade por Fernanda. E era exatamente disso que eu sentia falta. A carinhosa e calorosa companhia que ela me fazia.

E então, numa noite sem nenhum potencial, uma janelinha de conversa pula à minha frente.

- Podemos ser amigas novamente?

Me pegava de surpresa. Mas respondi que sim, claro.

E voltam as cantadas. Dessa vez, mais temperadas ainda.
Mas eu continuava desacreditando no que lia.
Não era culpa minha. Eu sempre fui assim. Me assusto facilmente com mulheres sedutoras.

Ela insistia que nos encontrássemos. Eu resistia. Ainda estava ferida e um pouco transtornada com os motivos que me levaram a me afastar.

Nos dois meses seguintes, as cantadas aumentavam, e eu só abria espaço pra isso. 
As vezes retornava um ou outro elogio.
Ela me convence que deveríamos nos ver. Marco no meu terreno. Me sinto mais segura assim. Definitivamente, Fernanda me deixava embaraçada.

A vejo chegar de longe. Vou me lembrando aos poucos os trejeitos e manias, e sorrio.
Quando ela chega, me abraça forte, me beija o rosto deliciosamente, e demora a me soltar.
Me lembro rapidamente de todos os dias em que passei a tarde ao lado dela, e com o carinho tamanho que ela me tratava. Aquele sorriso lindo!

Ela se apresenta à minha mãe e irmã, e se senta numa cadeira me puxando para que eu sentasse ao seu lado. Eu apenas me deixo levar por essa mulher maravilhosa.
Conversamos com pessoas, clientes, amigos, e tudo isso sem ela tirar a mão da minha coxa. Sem nem um segundo sequer, ela deixar de me fazer carinho.
Aproveito e roubo as mãos dela pra mim.

Ela me acompanha até o estúdio de um amigo. Me assiste sendo tatuada, e me carinha enquanto isso. Eu me acostumo com o carinho dela. Carinho sincero.
Faz um tempo que não recebo carinho assim, e então me vicio fácil.
E faço questão de ficar sempre perto dela. Do lado. Como um gato pedindo atenção.
Mais uma vez ela enfia a mão por baixo da minha camiseta e sente minhas costas. Dessa vez eu não me assusto. Pelo contrário, me excito.

Terminada a tatuagem, fica tarde para sairmos fazer alguma coisa. A levo até o trem. 
E lá, ela se despede emocionada. Me abraça forte e me segura por um longo tempo. 
Vem a minha cabeça que ela poderia me beijar. Congelo por dentro.
Ela me beija gostoso no rosto, e vai embora.
Ao chegar em casa, ainda trocamos mais palavras no bate-papo. Eu brinco com ela a chamando de safada e sem vergonha. Ela afirma ser tímida., e diz que, "se não fosse, teria esticado o abraço de despedida e me dado um beijo."
Deixo por isso mesmo. Não me senti a vontade pra perguntar mais a respeito disso.

Eram as minhas vozes falando comigo.
- Desencana!
- É! Desencana.
- Não mexe com quem tá quieto!
- É! Encrenca! Encrenca!

Nessa noite eu não consigo dormir. Estou completamente fascinada por Fernanda. Não esqueço seu perfume, seu toque, sua pele. Por mais que eu tente negar, ela já havia me fisgado.
Sinto falta do carinho dela, e me entristeço sabendo que nunca mais a veria de novo.
Continuo duvidando das investidas dela. Pra mim, aquele carinho era normal dela com todos.

No dia seguinte converso com ela em virtual. Me sinto empolgada, e penso em convencê-la a me ver de novo. Eu tinha que tirar aquilo tudo muito a limpo!
Mas, estranhamente, ela me parecia fria. Distante. 
Me senti frustrada. Senti enjoo. 
Avisei a ela que sairia de frente do computador. Ela estranhou e me perguntou o por que.
Eu inventei alguma coisa e sai rapidamente de lá.

Desci e tentei me acalmar assistindo bobagens na tevê.
De braços cruzados eu esbravejava em pensamento. "O que eu estava pensando? Eu sabia! Por que fui pensar besteira?"
Enquanto isso meu celular toca. Era ela.
- Alô.
- Tá melhor linda?
- Não...
- O que você tem?
- Não sei....to enjoada...
- Já tomou remédio?
- Não....
- Bom...se cuida. Eu também to saindo da net. Vou dormir. Cansei.
- Tá bom...a gente se fala.
- Um beijo.
- Beijo.

Sim. Ela me ligou. Ela se importa. Mas naquele momento nada adiantava. Eu estava convencida de que tinha me enganado em relação as cantadas dela. Estava convencida que, mais uma vez, eu fazia papel de idiota para uma garota.

Mais tarde, eu retornava à virtualidade com a certeza de que ela não estaria lá.
A presença dela me deixava transtornada. Eu não queria falar com ela, por que existia uma grande chance de falar demais e estragar tudo.
Mas qual foi a minha surpresa quando assim que sentei em frente ao micro, já havia uma janelinha me chamando pra conversa?

- Você está ai?

O problema é que eu não sei me segurar com nada. Ou quase nada. O correto, na minha cabeça, seria não ter respondido e falar com ela só no dia seguinte.
Ainda bem que as vezes a emoção fala mais alto que a minha razão.

- Tô.

Ela havia perdido o sono. A surpresa é que conversamos deliciosamente por algumas horas. E nessa conversa toda, muitas coincidências e vontades foram colocadas à mesa.
Eu a conheci um pouco mais, ela me conheceu um pouco mais.

Nessa noite dormi melhor e mais interessada ainda em rever Fernanda.
Eu não conseguia acreditar em como somos parecidas. Deu até uma pontinha de paixão.
No dia seguinte eu já não aguentava mais. A convidei pra me ver de novo no sábado. Ela aceitou imediatamente. E aproveitou a oportunidade pra me cantar um pouco mais.
Eu começava a acreditar nas reais intenções de Fernanda.

Sábado, quatro da tarde.
Eu tatuava minha segunda cliente do dia.
Fernanda chega e se faz notar. Conversa animadamente com minha cliente, e não deixa de me fazer elogios de vez em quando.
Eu só ouço a batida exaustiva da máquina e a voz dela ao mesmo tempo.
A voz de Fernanda, como descrever?
Parece que vai entonar praquelas vozes roucas, mas não chega a isso. Mas é uma voz forte, definitivamente forte. Chama a atenção, mas de um jeito bom. E o sotaque, a obriga a falar a maioria das palavras com perfeição. Sem “comer” algumas letras como fazem os paulistas.
Por vezes imito o que ela acaba de falar. Como se estivesse caçoando do sotaque.
Ela sorri e pergunta.

- Está tirando sarro de mim?
- Não, eu gosto do seu sotaque - retorno o sorriso.

Nove da noite.
Termino a tatuagem e minha cliente vai embora.
Eu sento ao lado de Fernanda, como uma criança num parque de diversões, balançando as pernas, e pergunto "o que você quer fazer?"

- Não sei...o que VOCÊ quer fazer?
- Ah!..Não sei... - respondo sorrindo e olhando nos olhos dela.

Ela é realmente tímida afinal. Não tanto quanto diz, claro.

Me deito na maca, ela senta ao meu lado, e logo começa a me acariciar a cintura.
Conversamos sobre tudo e nada. Vou ao banheiro e quando volto a encontro deitada.
Me sinto no direito e praticamente na obrigação de retornar o carinho no exato mesmo lugar. Cintura, barriga e pedaço das costas. Mas receio, e só a toco por cima da camisa.

Ela me conta coisas. Segredos. Eu ensaio colocar a mão debaixo da camisa dela. Sei que quero sentir sua pele, mas ainda sim receio. Me sinto intimidada. 
Ela me conta uma história, e fala rápido. Mas esse era o jeito dela, não dava pra saber se era nervosismo.

Onze e meia.
Enfim tomo coragem e coloco minhas mãos por dentro da camisa dela, ainda enquanto ela me conta a história. Ela pára imediatamente e fala com a voz mais macia.

- Ai! Assim não dá!

Eu brinco e tiro minhas mãos do contato direto com a pele dela.

- Opa! Não dá? Então parei.

Só pra ela puxar minhas mãos de volta e falar 

- Não! Dá sim! Dá sim!

É nesse momento que percebo que estou no comando. Ali, não tive mais dúvidas se ela me queria ou não.
Aproveito um pouco o momento, e em seguida me deito ao lado dela.
Ela me abraça, e ficamos assim, nos segurando com o rosto colado.

Mesmo que ela não me quisesse. Mesmo que eu não tivesse coragem de fazer o que fiz. Só de ter ficado algumas horas com ela, me fazendo carinho daquele jeito. Com aquela delicadeza. Já teria sido o ponto alto desse ano.
Ao lado dela, eu me sentia vitoriosa.

Meia-noite.
Eu me afasto um pouco, e sinto a respiração dela mudar. Estremeço, mas a vontade de beijá-la é maior. De leve, a beijo no canto da boca. Ela me aperta. Logo vira o rosto e delicada, me beija a boca. Uma delicia! 
E me beija, me beija, me beija. Sinto tontura. Ela me puxa mais pra perto. Me segura.

Que boca era aquela? Que beijo! Eu estava sonhando?

Aquela mulher. Aquele mulherão! Fernanda? Deitada à minha frente? Me beijando?
Me perco em meus pensamentos. Me sinto perdida em seus braços.
Me afasto por um segundo para olhá-la, e ela me puxa de volta. E me beija, me beija. Me aperta. Me abraça e suspira.

Me afasto novamente e a olho nos olhos. Ela torna a me puxar pra bem perto. Me beija ainda mais. Eu começo a balbuciar palavras inúteis. Mania minha. Ela me manda calar a boca e me puxa de volta aos beijos.

Meia noite e vinte, ela geme. 
Pronto!
Queria me ganhar? Ganhou!
E eu nem lembro se já tinha avisado. Não posso com mulher gemendo. Mexe demais comigo.
Ela geme. E eu fico estática. Imóvel.
Ela me puxa com força pra perto. Se encosta toda em mim. Sente minhas costas e sussurra "gostosa!...você é muito gostosa!"
Eu fico vermelha e começo a rir. Digo que não.

- Tsc...cala a boca! - ela repete.

E torna a me abraçar, me beijar. Me morde os lábios. Respira forte e volta a gemer.
Eu fico parada por dois segundos e decido arriscar um pouco mais. Me aperto contra ela.
A seguro em mim. A beijo com carinho. Encosto a minha língua na dela, de levinho. Acaricio a boca dela com a minha. Passo a língua por onde beijei.
Ela sorri de olhos fechados. Eu a-do-ro!
A provoco aos poucos e fico observando ela se contrair e relaxar. Vejo ela morder os lábios. Franzir a testa. Tudo isso me excita. Me deixa em estado de alerta.

Ela geme, e geme, e geme. Eu fico louca de tesão.
Ela me parece gozar, mas não tenho certeza.

Me lembro do que ela tinha me falado, "não gosto que me chamem de ninfomaníaca...sou multi-orgásmica..."
Peço a ela que deite em cima de mim. "É claro..." ela responde.
Agora sim, a sinto inteira. Subo um pouco da sua camisa, levanto um pouco da minha. Encosto minha pele na dela. Hmm, deliciosa.

Ela fala de novo, mas quase sem fôlego "você...é muito gostosa..." e se mexe em cima de mim. Eu a seguro pela cintura.

- Gostosa é você! Eu não...
- É sim.... cara!...muito!
- Não sou não...
- Cala a boca!

E eu adoro quando ela me manda calar a boca.
Ela volta a gemer. Mais intensamente. Morde a boca, e dessa vez, não tenho dúvidas, gozou. 
Ela relaxa, e deita em cima de mim. Só por dois ou três segundos. Volta a me provocar. "Multi-orgásmica Sucri!"

Duas e meia da manhã.
Ela deita do meu lado, me abraça forte, e ali fica. Eu a seguro pela cintura e faço carinho em seus cabelos. Ela dorme. Sinto o corpo todo dela relaxando. Fico ali, só escutando a respiração dela.

Três da manhã
- Vamos pra minha casa? - eu pergunto.
- Vamos.

Três e meia da manhã. Em casa, ela me beija, me beija. Me beija com olhos vermelhos de sono e geme. Vai com a mão direto ao meu assunto. Eu me contorço. Respiro forte. Minha vez de gemer.

- Golpe baixo! - eu exclamo.
- Ã-ahn...tá valendo.
- Não Fernanda...tira a mão daí... - Ainda não era hora.
- Hmm....daqui a pouco eu tiro... - Ela fala sussurrando.
Eu rio..
- Não - sorrio - agora.
- Só mais um pouquinho...
- Só a cabecinha? - Eu faço piada a qualquer hora.
Ela ri e responde.
- É, só a cabecinha.
- Não. Nem a cabecinha.
- Tá bom! Tá bom! Também, pra que tanta calça?

Eu sempre visto duas calças. Sinto frio.
Logicamente, naquele momento era mentira minha falar que tinha frio. Ela me aquecia.
Mas eu sempre gostei de ser devagar. "Sexo tântrico" eu falo brincando.
As calças me ajudam a segurar a onda.

Quatro horas.
Ela se deita do meu lado. Me beija, me faz carinho, me chama de gostosa, se aninha em mim e dorme.

Dez e meia da manhã.
Me encosto atrás dela, e beijo sua nuca. 
Ela acaricia meu braço e o puxa como num abraço.

- Hmm....bom dia.

Se vira de frente pra mim e me abraça feliz.

- Bom dia.

Ficamos um tempo assim, abraçadas. Ela acorda aos poucos.
Me beija. E suspira. Descansa em mim.
Eu encosto a mão na cintura dela, e ela geme.
Será possível? Descobri o ponto fraco. Não é a toa que ela gemia tanto ontem.
Me aproveito da situação. A faço gemer sem parar.

Meio-dia
Ela me aperta como se estivesse brigando comigo.

- Como você consegue ser tão gostosa?

Eu só dou risada.

Sunday, July 19, 2020

Yolanda

Abri os olhos para o silêncio. Eu não conseguia reconhecer o lugar. Ou talvez eu não queria reconhecer. Estava escuro, de noite, numa rua. Uma rua deserta. Uma rua sem saída. Uma rua que parecia não ter propósito algum, senão aquele encontro. O silêncio não me incomodava. Nem o vento seco na noite fria de Guarulhos. Não, não é que em Guarulhos faça sempre frio. Aquele lugar fazia frio. Ou então eu tremia de emoção e medo por dentro e simplesmente sentia necessidade de culpar o ar. Começava a me localizar. Na verdade, aceitar o que estava bem à frente de meus olhos. Uma rua sem saída cercada de grama alta. Quase até meus joelhos. Postes com iluminação fraca, laranja. Um daqueles latões de entulho na ponta da rua. Um pouco mais a frente, a avenida principal. Totalmente escura, como eu bem lembro. Perigosa. De tempo em tempo, algum carro passava a mais de 100 por hora. Aí sim, ventava. Meus cabelos tentavam fugir daquilo tudo. Teimavam tapar meus olhos. Só pra, em seguida, voltarem para a posição natural. Passavam tão apressados, os carros, que eu balançava. Mas o que balançava mesmo era o meu coração, que não conseguia acreditar naquela surpresa. Eu sentia meu pulmão se esforçando, coitado, até ele. Eu simplesmente congelei. Pra mim o tempo congelou. Sabe aquela expressão “meus pés não saíam do lugar.”? Pois é, foi bem ali que eu descobri o real significado dessa frase. A noite agora se declarava. Reconheci o barulho alto das turbinas de avião se preparando pra decolar. E mesmo sem tirar os olhos dela, via as luzes de outros aviões, pequeninos lá no céu, rodando e esperando autorização para pouso. As mãos dela seguravam firmes, alças de malas pretas. Nas costas, uma mochila vermelha. Cabelos soltos. O ruivo natural que ela sempre usou com orgulho. Camiseta rosa com uma estampa esquisita e aquela calça preta que tantas vezes a vi vestir e despir. Na cintura, um moletom amarrado. Ela me olhava. Mas eu não sabia o que aquilo significava. Eu não sabia se era um olhar de carinho, de surpresa, de tristeza, de saudade, de medo, de indiferença ou simplesmente de vontade de me abraçar. Nos olhávamos seriamente. Sem sorrir nem franzir a testa. Um olhar sem entender. Eu não sabia se tinha algo a dizer. Só sabia do que havia dentro de mim. E o que ia explodir dentro de mim alguns segundos a seguir. Foram segundos, esses, que me pareciam anos. Décadas. Segundos congelada, sem piscar, que me seguravam ali, sem saber o que fazer, o que dizer, como agir. Finalmente tropeço em uma tentativa de passo. E continuo a olhar pra ela. Agora com um sorriso nos lábios, e febre na pele. De pano de fundo: Aeroporto internacional de Guarulhos, com todas as suas luzes. Menos de dois metros à minha frente: Yolanda.

Helena

Em uma festa típica na cidade, o povo dançava ao som de guitarras acústicas e a cantoria dos ciganos. Igor encosta atrás de Helena e a provoca, se oferece, roçando seu corpo no dela.
Ela ri, quase a gargalhar, com um toque a excitar, gemendo e suspirando.
Ela se vira para ele ainda dançando sensualmente e sorrindo.
- Estou grávida.
Ele congela, fica pálido, se apoia no ombro dela, sentindo o suor frio começando a brotar e os joelhos a falhar. Engole a seco.
- De quem é?
Ela solta uma gargalhada sincera e se vira de costas ignorando-o. Ele a agarra pelo braço e range os dentes perto do ouvido dela.
- Puta! De quem é esse filho?
Ela se vira séria, o encara nos olhos e responde com categoria.
- Meu!!
E sai apressada, segurando o saiote nas mãos, sem deixar que ele veja o sorriso irônico que permanecia em sua boca. Segue em direção à uma propriedade bem conhecida pela cidade.
Igor ficou sem reação por alguns segundos, e então, foi atrás de Helena.
A achou na parte de trás de uma da casa dos amantes. Era assim apelidada a casa abandonada usado por casais desesperados.
- Helena! - ele a olha nos olhos seriamente. - Esse filho é meu, não é?
Ela permanece em silêncio. Apenas sorrindo.
- Responda maldita! - ele se altera novamente.
Helena dá um passo em direção a ele, o encara orgulhosa, e responde.
- Esse filho...é meu e de meu marido!
Igor se revolta e num impulso bate na cara de Helena, e logo em seguida a segura pela roupa, com os punhos bem apertados.
- Vadia! Mentirosa! Como pôde fazer uma coisa dessas comigo? Só pode estar mentindo! Como pôde manter relações com aquele cretino? Como pôde misturar o suor dele com o meu?
- Deixe-me! - ela responde esnobe, e se diverte com o nervosismo dele - Vá procurar outra mulher...já disse! Esse filho pertence a mim e meu marido.
Ele cospe no rosto dela.
Helena agora encara Igor de baixo para cima, mostrando raiva. Ele logo se arrepende e passa a mão no rosto dela, limpando-a, e em seguida beija seus lábios, ela não retribui. Apenas o encara com o olhar decadente. Desesperado, a encosta na parede e começa a chorar ainda a beijando. Helena o pega pelas mãos o leva até os fundos, se deita dando sorrindo maliciosamente, de pernas abertas e apoiada nos cotovelos. Igor, entorpecido pelo momento, arranca a camisa com violência e se deita em cima de Helena, desabotoando a calça.
Ainda com o rosto molhado, ele a olha nos olhos.
- Diga que me ama.
Helena se inclina até Igor, o beija suavemente os lábios. Ele fecha os olhos, enquanto ela lambe o rosto dele até chegar ao ouvido e sussurra.
- Não.
Ele se esquiva, nervoso, ela o enlaça com as pernas, mordendo o lábio inferior, ele sem forças cai novamente em cima dela, e ela geme...

Tuesday, July 14, 2020

Ayumi




Eu sonhava com ela a tempos. Sonhava acordada. Naqueles seios sem sutiã. Naqueles pelos dos braços, ouriçados. Naquela pinta no pescoço, linda, só dava pra ver quando ela debruçava na mesa, e o rabo de cavalo caía pro lado. E as vezes me parece, que ela faz questão que eu veja…aquela calcinha branquinha, de menininha. Deve ter um ursinho desenhado na frente, quer apostar? Eu quero! Aqueles olhos lindos e castanhos. O redondo puxado…lindo. Aquelas sobrancelhas grossas. A boca….ai….a boca!
Pensava em como seria estar com ela. O que eu faria? O que ela diria, antes?
Todos os dias…Eu a via. A cheirava. A tocava. A queria. Mas não a tinha.
Ayumi, de certa forma, é meu sonho de consumo.

Subi as escadas, e estranhei o silencio. Nada de ventilador, impressora, computador. Só ouvia o zunido de uma T.V. ligada, mas com o som no mudo. Não vi ninguém. Entrei na minha sala e me sentei em frente ao computador. Já estava com o dedo no power quando…
Slam! Ayumi bate a porta atrás dela. Apenas me olha por alguns segundos. Se vira e tranca a porta. Eu virei a cadeira na direção dela, mas não levantei. Apenas a encarei com desdém. Em contra-ponto ao tesão absurdo e latente que eu sentia por ela, vinha a irritação quando ela dava as broncas costumeiras de segunda-feira.
Ela dá dois passos em minha direção.

- Eu vim aqui te dizer uma coisa – disse ela, com a cara séria que eu já conhecia – Levanta!

Lá vem bomba, pensei. Mas não tinha jeito, levantei bufando e parei bem em frente a ela, que agora me olhava nos olhos.

- Pronto. Pode falar.

E foi então que ela me puxou pela nuca, me abraçou pela cintura, e me beijou forte. Agi por instinto, claro. A abracei também, e devolvi o beijo. Ela me encostou na parede, continuou a me beijar, só que dessa vez consegui sentir o corpo dela, agarrado ao meu…quente. Ela me pressionava contra a parede, e eu puxava ela contra o meu peito. De repente, ela parou de me beijar, se afastou, limpou a boca olhando nos meus olhos com desejo.
- Era isso que eu tinha pra falar pra você.
 Abriu a porta e foi embora. Fiquei ali, olhando ela sair ofegante. Sorrindo.


 Acordei…

Da categoria Hot

A maioria dos posts serão ideias desenvolvidas ao ritmo de prosa ou poesia. As vezes pensamentos desconexos sobre a grande filosofia do viver. Outros mais, sonhos pessoais transformados em capítulos ou estrofes.

Na categoria Hot se encaixam estorias com palavreado picante. Por isso se você é um jovem leitor atenção.

Num mundo onde ninguém liga para nada, é fácil se perder nas mesmices de infringir um copyright. Porem peço, se for usar o conteúdo desse blog, favor dar o devido crédito com link.

Prólogo

Amigos leitores.
Venho através desse blog, tentar re-aproximar os velhos leitores da escrita virtual, dos incríveis talentos perdidos por essa internet de meu Darwin, dos jovens leitores a se apaixonar pela escrita elaborada e pensada.

É também um estudo pessoal para melhorar minha escrita.

Para os bravos resistentes à mudança impertinente das palavras pequenas.
Do muito se fala mas em pequenas doses.
Dos que detestam a banalidade do twitter.
Dos que tentaram se aventurar no Face...
E dos que se incomodam com a limitação do Instagram.