Lembrei daquela boca molhada, da pele e do beijo.
Do jeito bravo, das palavras de amor.
Lembrei do carinho e da paciência.
Que ela me dirigia sonetos e músicas.
Lembrei que o que ela queria, ela tinha.
Que a gente se beijou pisando no formigueiro, e que brigamos no chão de cimento por um R.G.
Lembrei que eu corria risco de morte, e que ela valia a pena.
Do dia em que ela cantou Luz dos Olhos me fazendo carinho no rosto.
Que ela apareceu certo dia sem avisar, e exigiu que eu me explicasse sobre uma Parada Gay. Estava achando que eu já tinha outra.
Mas era ela! Só ela.
E foi ela, durante o tempo que ela me permitiu sua atenção.
A entidade que eu conheço como Catarina.
Um Galactus da vida real. Ela vinha para devorar almas.
Um carbono concentrado queimando na chama azul do destino.
O diamante de sangue que ajudei a lapidar.
Mas eu não sabia tudo de Catarina. Claro que não.
Geralmente se faz necessário uma vida toda para conhecer de fato uma pessoa.
Passaram se vinte anos do nosso primeiro contato, e Catarina agora era pausada, comedida para certos assuntos.
O Galactus estava na atmosfera terrestre em velocidade reduzida.
Freava bem próxima a meus mares e vales, e se contentava em observar o comportamento humano para seu próprio deleite.
Divertia-se claro, nos vendo perder tempo com coisas banais.
Continuava sendo a delícia boreal.
Continuava controlando a narrativa.
Mas como uma anêmona do mar, se tornou cada vez mais indiferente à condição humana.
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