- Você não me parece bem. O que houve?
- Nada demais. Só mais um capítulo escrito. Só mais um livro na estante.
Algo rompeu em mim. Um terremoto, um tsunami. Tudo se revoltou e a terra se abriu.
Algo se rompeu em mim. Romperam comigo.
Agora fica só a sensação de rasgo da alma. Algo que a gente teima em usar como metáfora, mas não entende bem até entender. Chegou a minha vez de entender.
Eu senti a violenta ruptura no peito. Minha vez de ficar sem ar. Minha vez de ficar sem chão. Minha vez de ficar sem saber para onde ir.
Quase literalmente uma vala aberta no coração. Uma ferida. O vazio difícil de preencher.
Agora eu sou apenas uma embalagem de plástico que foi descartada na caixa verde. Sinto que não estou em meu lugar, porém aqui espero. Eu e as garrafas de vidro vazias aguardamos pacientes.
Vão se passar meses até alguma maquina perceber o erro. Até me colocarem na caixa de cor vermelha. Meses até eu finalmente ser reciclada e poder mais uma vez ser reutilizada. Me sentir útil novamente. Ser necessária mais uma vez.
Você sabe...nada demais.
- Ah..certo. Desculpe por perguntar.
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