Fernanda já me cantava de longa data. Ok! Não tão longa assim.
O importante é que eu não a levava a sério.
Pensava "eu brinco assim com todo mundo...ela também pode."
Mas a verdade é que as "brincadeiras" de Fernanda eram bem mais apimentadas que as minhas.
Verdade que eu me assustei um pouco no ano passado, quando no meio da rua, e em sentido a uma lanchonete, Fernanda simplesmente enfiou a mão dentro da minha blusa e me acariciou as costas.
Naquela época eu não sabia o que pensar. Tanto que, quase obrigatoriamente, levei na esportiva.
Hoje entendo que ela me olhava de um jeito diferente.
Com aquele olhar que sempre me chamou a atenção.
Mas eu pensava que ela olhava assim para todos. Que simplesmente era o olhar dela.
O jeito dela. Ainda hoje tenho minhas dúvidas.
Ficamos sem nos falar por um tempo logo após o episódio "mãos nas costas"... Nada a ver com o fato em si, mas coincidentemente após. Motivos esses, que não merecem ser mencionados aqui. Numa outra história, quem sabe.
O que sei é que senti falta de Fernanda. Genuinamente. Sentia meu coração apertado e sufocado quando pensava nela.
Não, eu nunca tinha sentido mais do que amizade por Fernanda. E era exatamente disso que eu sentia falta. A carinhosa e calorosa companhia que ela me fazia.
E então, numa noite sem nenhum potencial, uma janelinha de conversa pula à minha frente.
- Podemos ser amigas novamente?
Me pegava de surpresa. Mas respondi que sim, claro.
E voltam as cantadas. Dessa vez, mais temperadas ainda.
Mas eu continuava desacreditando no que lia.
Não era culpa minha. Eu sempre fui assim. Me assusto facilmente com mulheres sedutoras.
Ela insistia que nos encontrássemos. Eu resistia. Ainda estava ferida e um pouco transtornada com os motivos que me levaram a me afastar.
Nos dois meses seguintes, as cantadas aumentavam, e eu só abria espaço pra isso.
As vezes retornava um ou outro elogio.
Ela me convence que deveríamos nos ver. Marco no meu terreno. Me sinto mais segura assim. Definitivamente, Fernanda me deixava embaraçada.
A vejo chegar de longe. Vou me lembrando aos poucos os trejeitos e manias, e sorrio.
Quando ela chega, me abraça forte, me beija o rosto deliciosamente, e demora a me soltar.
Me lembro rapidamente de todos os dias em que passei a tarde ao lado dela, e com o carinho tamanho que ela me tratava. Aquele sorriso lindo!
Ela se apresenta à minha mãe e irmã, e se senta numa cadeira me puxando para que eu sentasse ao seu lado. Eu apenas me deixo levar por essa mulher maravilhosa.
Conversamos com pessoas, clientes, amigos, e tudo isso sem ela tirar a mão da minha coxa. Sem nem um segundo sequer, ela deixar de me fazer carinho.
Aproveito e roubo as mãos dela pra mim.
Ela me acompanha até o estúdio de um amigo. Me assiste sendo tatuada, e me carinha enquanto isso. Eu me acostumo com o carinho dela. Carinho sincero.
Faz um tempo que não recebo carinho assim, e então me vicio fácil.
E faço questão de ficar sempre perto dela. Do lado. Como um gato pedindo atenção.
Mais uma vez ela enfia a mão por baixo da minha camiseta e sente minhas costas. Dessa vez eu não me assusto. Pelo contrário, me excito.
Terminada a tatuagem, fica tarde para sairmos fazer alguma coisa. A levo até o trem.
E lá, ela se despede emocionada. Me abraça forte e me segura por um longo tempo.
Vem a minha cabeça que ela poderia me beijar. Congelo por dentro.
Ela me beija gostoso no rosto, e vai embora.
Ao chegar em casa, ainda trocamos mais palavras no bate-papo. Eu brinco com ela a chamando de safada e sem vergonha. Ela afirma ser tímida., e diz que, "se não fosse, teria esticado o abraço de despedida e me dado um beijo."
Deixo por isso mesmo. Não me senti a vontade pra perguntar mais a respeito disso.
Eram as minhas vozes falando comigo.
- Desencana!
- É! Desencana.
- Não mexe com quem tá quieto!
- É! Encrenca! Encrenca!
Nessa noite eu não consigo dormir. Estou completamente fascinada por Fernanda. Não esqueço seu perfume, seu toque, sua pele. Por mais que eu tente negar, ela já havia me fisgado.
Sinto falta do carinho dela, e me entristeço sabendo que nunca mais a veria de novo.
Continuo duvidando das investidas dela. Pra mim, aquele carinho era normal dela com todos.
No dia seguinte converso com ela em virtual. Me sinto empolgada, e penso em convencê-la a me ver de novo. Eu tinha que tirar aquilo tudo muito a limpo!
Mas, estranhamente, ela me parecia fria. Distante.
Me senti frustrada. Senti enjoo.
Avisei a ela que sairia de frente do computador. Ela estranhou e me perguntou o por que.
Eu inventei alguma coisa e sai rapidamente de lá.
Desci e tentei me acalmar assistindo bobagens na tevê.
De braços cruzados eu esbravejava em pensamento. "O que eu estava pensando? Eu sabia! Por que fui pensar besteira?"
Enquanto isso meu celular toca. Era ela.
- Alô.
- Tá melhor linda?
- Não...
- O que você tem?
- Não sei....to enjoada...
- Já tomou remédio?
- Não....
- Bom...se cuida. Eu também to saindo da net. Vou dormir. Cansei.
- Tá bom...a gente se fala.
- Um beijo.
- Beijo.
Sim. Ela me ligou. Ela se importa. Mas naquele momento nada adiantava. Eu estava convencida de que tinha me enganado em relação as cantadas dela. Estava convencida que, mais uma vez, eu fazia papel de idiota para uma garota.
Mais tarde, eu retornava à virtualidade com a certeza de que ela não estaria lá.
A presença dela me deixava transtornada. Eu não queria falar com ela, por que existia uma grande chance de falar demais e estragar tudo.
Mas qual foi a minha surpresa quando assim que sentei em frente ao micro, já havia uma janelinha me chamando pra conversa?
- Você está ai?
O problema é que eu não sei me segurar com nada. Ou quase nada. O correto, na minha cabeça, seria não ter respondido e falar com ela só no dia seguinte.
Ainda bem que as vezes a emoção fala mais alto que a minha razão.
- Tô.
Ela havia perdido o sono. A surpresa é que conversamos deliciosamente por algumas horas. E nessa conversa toda, muitas coincidências e vontades foram colocadas à mesa.
Eu a conheci um pouco mais, ela me conheceu um pouco mais.
Nessa noite dormi melhor e mais interessada ainda em rever Fernanda.
Eu não conseguia acreditar em como somos parecidas. Deu até uma pontinha de paixão.
No dia seguinte eu já não aguentava mais. A convidei pra me ver de novo no sábado. Ela aceitou imediatamente. E aproveitou a oportunidade pra me cantar um pouco mais.
Eu começava a acreditar nas reais intenções de Fernanda.
Sábado, quatro da tarde.
Eu tatuava minha segunda cliente do dia.
Fernanda chega e se faz notar. Conversa animadamente com minha cliente, e não deixa de me fazer elogios de vez em quando.
Eu só ouço a batida exaustiva da máquina e a voz dela ao mesmo tempo.
A voz de Fernanda, como descrever?
Parece que vai entonar praquelas vozes roucas, mas não chega a isso. Mas é uma voz forte, definitivamente forte. Chama a atenção, mas de um jeito bom. E o sotaque, a obriga a falar a maioria das palavras com perfeição. Sem “comer” algumas letras como fazem os paulistas.
Por vezes imito o que ela acaba de falar. Como se estivesse caçoando do sotaque.
Ela sorri e pergunta.
- Está tirando sarro de mim?
- Não, eu gosto do seu sotaque - retorno o sorriso.
Nove da noite.
Termino a tatuagem e minha cliente vai embora.
Eu sento ao lado de Fernanda, como uma criança num parque de diversões, balançando as pernas, e pergunto "o que você quer fazer?"
- Não sei...o que VOCÊ quer fazer?
- Ah!..Não sei... - respondo sorrindo e olhando nos olhos dela.
Ela é realmente tímida afinal. Não tanto quanto diz, claro.
Me deito na maca, ela senta ao meu lado, e logo começa a me acariciar a cintura.
Conversamos sobre tudo e nada. Vou ao banheiro e quando volto a encontro deitada.
Me sinto no direito e praticamente na obrigação de retornar o carinho no exato mesmo lugar. Cintura, barriga e pedaço das costas. Mas receio, e só a toco por cima da camisa.
Ela me conta coisas. Segredos. Eu ensaio colocar a mão debaixo da camisa dela. Sei que quero sentir sua pele, mas ainda sim receio. Me sinto intimidada.
Ela me conta uma história, e fala rápido. Mas esse era o jeito dela, não dava pra saber se era nervosismo.
Onze e meia.
Enfim tomo coragem e coloco minhas mãos por dentro da camisa dela, ainda enquanto ela me conta a história. Ela pára imediatamente e fala com a voz mais macia.
- Ai! Assim não dá!
Eu brinco e tiro minhas mãos do contato direto com a pele dela.
- Opa! Não dá? Então parei.
Só pra ela puxar minhas mãos de volta e falar
- Não! Dá sim! Dá sim!
É nesse momento que percebo que estou no comando. Ali, não tive mais dúvidas se ela me queria ou não.
Aproveito um pouco o momento, e em seguida me deito ao lado dela.
Ela me abraça, e ficamos assim, nos segurando com o rosto colado.
Mesmo que ela não me quisesse. Mesmo que eu não tivesse coragem de fazer o que fiz. Só de ter ficado algumas horas com ela, me fazendo carinho daquele jeito. Com aquela delicadeza. Já teria sido o ponto alto desse ano.
Ao lado dela, eu me sentia vitoriosa.
Meia-noite.
Eu me afasto um pouco, e sinto a respiração dela mudar. Estremeço, mas a vontade de beijá-la é maior. De leve, a beijo no canto da boca. Ela me aperta. Logo vira o rosto e delicada, me beija a boca. Uma delicia!
E me beija, me beija, me beija. Sinto tontura. Ela me puxa mais pra perto. Me segura.
Que boca era aquela? Que beijo! Eu estava sonhando?
Aquela mulher. Aquele mulherão! Fernanda? Deitada à minha frente? Me beijando?
Me perco em meus pensamentos. Me sinto perdida em seus braços.
Me afasto por um segundo para olhá-la, e ela me puxa de volta. E me beija, me beija. Me aperta. Me abraça e suspira.
Me afasto novamente e a olho nos olhos. Ela torna a me puxar pra bem perto. Me beija ainda mais. Eu começo a balbuciar palavras inúteis. Mania minha. Ela me manda calar a boca e me puxa de volta aos beijos.
Meia noite e vinte, ela geme.
Pronto!
Queria me ganhar? Ganhou!
E eu nem lembro se já tinha avisado. Não posso com mulher gemendo. Mexe demais comigo.
Ela geme. E eu fico estática. Imóvel.
Ela me puxa com força pra perto. Se encosta toda em mim. Sente minhas costas e sussurra "gostosa!...você é muito gostosa!"
Eu fico vermelha e começo a rir. Digo que não.
- Tsc...cala a boca! - ela repete.
E torna a me abraçar, me beijar. Me morde os lábios. Respira forte e volta a gemer.
Eu fico parada por dois segundos e decido arriscar um pouco mais. Me aperto contra ela.
A seguro em mim. A beijo com carinho. Encosto a minha língua na dela, de levinho. Acaricio a boca dela com a minha. Passo a língua por onde beijei.
Ela sorri de olhos fechados. Eu a-do-ro!
A provoco aos poucos e fico observando ela se contrair e relaxar. Vejo ela morder os lábios. Franzir a testa. Tudo isso me excita. Me deixa em estado de alerta.
Ela geme, e geme, e geme. Eu fico louca de tesão.
Ela me parece gozar, mas não tenho certeza.
Me lembro do que ela tinha me falado, "não gosto que me chamem de ninfomaníaca...sou multi-orgásmica..."
Peço a ela que deite em cima de mim. "É claro..." ela responde.
Agora sim, a sinto inteira. Subo um pouco da sua camisa, levanto um pouco da minha. Encosto minha pele na dela. Hmm, deliciosa.
Ela fala de novo, mas quase sem fôlego "você...é muito gostosa..." e se mexe em cima de mim. Eu a seguro pela cintura.
- Gostosa é você! Eu não...
- É sim.... cara!...muito!
- Não sou não...
- Cala a boca!
E eu adoro quando ela me manda calar a boca.
Ela volta a gemer. Mais intensamente. Morde a boca, e dessa vez, não tenho dúvidas, gozou.
Ela relaxa, e deita em cima de mim. Só por dois ou três segundos. Volta a me provocar. "Multi-orgásmica Sucri!"
Duas e meia da manhã.
Ela deita do meu lado, me abraça forte, e ali fica. Eu a seguro pela cintura e faço carinho em seus cabelos. Ela dorme. Sinto o corpo todo dela relaxando. Fico ali, só escutando a respiração dela.
Três da manhã
- Vamos pra minha casa? - eu pergunto.
- Vamos.
Três e meia da manhã. Em casa, ela me beija, me beija. Me beija com olhos vermelhos de sono e geme. Vai com a mão direto ao meu assunto. Eu me contorço. Respiro forte. Minha vez de gemer.
- Golpe baixo! - eu exclamo.
- Ã-ahn...tá valendo.
- Não Fernanda...tira a mão daí... - Ainda não era hora.
- Hmm....daqui a pouco eu tiro... - Ela fala sussurrando.
Eu rio..
- Não - sorrio - agora.
- Só mais um pouquinho...
- Só a cabecinha? - Eu faço piada a qualquer hora.
Ela ri e responde.
- É, só a cabecinha.
- Não. Nem a cabecinha.
- Tá bom! Tá bom! Também, pra que tanta calça?
Eu sempre visto duas calças. Sinto frio.
Logicamente, naquele momento era mentira minha falar que tinha frio. Ela me aquecia.
Mas eu sempre gostei de ser devagar. "Sexo tântrico" eu falo brincando.
As calças me ajudam a segurar a onda.
Quatro horas.
Ela se deita do meu lado. Me beija, me faz carinho, me chama de gostosa, se aninha em mim e dorme.
Dez e meia da manhã.
Me encosto atrás dela, e beijo sua nuca.
Ela acaricia meu braço e o puxa como num abraço.
- Hmm....bom dia.
Se vira de frente pra mim e me abraça feliz.
- Bom dia.
Ficamos um tempo assim, abraçadas. Ela acorda aos poucos.
Me beija. E suspira. Descansa em mim.
Eu encosto a mão na cintura dela, e ela geme.
Será possível? Descobri o ponto fraco. Não é a toa que ela gemia tanto ontem.
Me aproveito da situação. A faço gemer sem parar.
Meio-dia
Ela me aperta como se estivesse brigando comigo.
- Como você consegue ser tão gostosa?
Eu só dou risada.
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